Ao final de uma época, João Belbute saiu do União de Almeirim.

João, primeiro que tudo, porque saiu do U. Almeirim?
A minha saída prendeu-se com o facto de não haver uma convergência total daquilo que eram os interesses de ambas as partes. No fundo, é normal no futebol, são coisas que acontecem e percebi que aquilo que o clube tinha pensado, para mim não se assemelhava àquilo que eu tinha previsto e idealizado. Entendi que não me iria sentir 100% realizado naquilo que ia fazer e não faria sentido enganar-me a mim próprio, e muito menos ao clube que merece o melhor.

Foi uma decisão muito ponderada e amadurecida?
Foi uma decisão muito ponderada, obviamente. Tinha em mente estar envolvido num projeto a longo prazo mas, infelizmente, não se reuniram as condições ideais para tal.

Em algum momento, Agostinho Fernandes ou André Mesquita tentaram que o João Belbute mudasse de opinião?
Não só as pessoas que refere, assim como a grande maioria da direção, fizeram muita força para que continuasse. Não posso dizer que foi por eles que saí do clube, aliás, só tenho a agradecer a todos eles pela grande oportunidade que me deram de representar um grande clube da região, como é o União.

Sai de consciência que tudo fez ou podia ter feito mais?
Tenho consciência que muito ficou por fazer, sinto que o clube e a sua organização deram passos muito importantes na última época. Muito trabalho que não é diretamente visível mas que tornou o clube muito funcional e o fez melhorar a nível organizativo. É certo que na minha cabeça sempre dei o meu melhor pelo clube e estou certo também que vesti realmente a camisola do UFCA, mas sabemos que há muito trabalho que por ser bem feito acaba por não se dar relevo nem ser reconhecido e será sempre mais fácil apontar e sublinhar algumas falhas que possam ter ocorrido. Resumindo, podemos sempre fazer mais e melhor mas é fundamental que todos remem para o mesmo lado e isso nem sempre acontece, mas é algo transversal à grande maioria dos clubes nacionais.

Não se arrepende de ter vindo para o U. Almeirim?
Não me arrependo de todo! Foi para mim um grande orgulho, como já disse, representar o UFCA como também as outras.

Ter saído no mesmo dia que Paulo Marques é pura coincidência?
Posso dizer que também a sua saída teve alguma influência na minha decisão, não posso negá-lo. Numa última fase foi a pessoa que me “segurou” mas a decisão foi sempre minha para o departamento de análise de originais da Chiado Editora, em que me foi apresentado um contrato de edição, com validade de quatro anos, podendo depois ser renovado.

O U. Almeirim é, hoje em dia, um clube melhor preparado para os desafios?
Na minha opinião é um clube que tem a necessidade primordial de criar uma identidade clara e um novo paradigma definido e seguido “à risca”. Continuo a olhar para o clube como olhava quando cheguei: com um potencial enorme mas que não pode ter pressa de ter resultados. Tem que definir claramente o que quer ser e para onde quer ir, sem queimar etapas. A direção anterior fez um trabalho louvável no que diz respeito à recuperação financeira mas julgo ser agora momento de repensar o projeto desportivo e as linhas por que se quer coser. Mas claro que julgo que é hoje um clube melhor e com condições para crescer muito mais.

Qual o melhor momento que viveu no clube?
Os melhores momentos foram vários, a oportunidade de trabalhar com atletas de qualidade, no que a este nível diz respeito, o trabalho diário num clube que passei a admirar e ver os frutos do trabalho, nomeadamente ao nível dos atletas, são sempre as maiores vitórias.

E o pior?
O pior momento, talvez a partir do momento em que comecei a perceber que o meu percurso não seria muito longo no clube. Perceber que algumas das minhas ideias e convicções iam em sentido contrário ao que a direção pretendia. Mas, claro que respeito e entendo outros pontos de vista. Aprendi a estar no futebol respeitando toda a gente, e se não há convergência de ideias, paciência… desejo que tudo corra de feição ao clube e digo-o sem qualquer tipo de falsa modéstia. Fui respeitado por todos e faço questão de os respeitar também.

Já sabe o que vai fazer no futuro?
Relativamente ao futuro, espero, obviamente, continuar no mundo do futebol. Sabemos que é um mundo fácil e que esta saída não vem provavelmente numa altura onde não irão chover propostas de trabalho, mas como sempre acredito no meu valor, sei que quem trabalha bem, acaba por vingar. Mas haverão novidades muito em breve.

Nota: A novidade surgiu mesmo uma semana após a entrevista de João Belbute a O Almeirinense onde foi confirmado como novo treinador da equipa sénior do Alcanenense, que este ano vai disputar o Campeonato Distrital da Primeira Divisão da Associação de Futebol de Santarém.

Texto e foto: oalmeirinense.com