Desde cedo que gosta de andar a correr atrás da bola, porém uma maldita lesão no joelho ditou por terra o sonho de jogar mais tempo. Hoje, com 33 anos, é um dos treinadores mais acarinhados do distrito, nomeadamente em Amiais de Baixo e, recentemente, aceitou o desafio de treinar na Suiyang Soccer Academy, na China. Estamos a falar de Rui Pedro Gaivoto.

O jovem treinador aceitou o convite do Futebol Distrital de Santarém para dar continuidade ao “Um para Um”, onde nos revelou pormenores da sua carreira, o seu dia-a-dia na China, assim como as suas ambições para o futuro.

1 – Conta-nos como foi o teu percurso como jogador…

O meu percurso como j26803333_1930277867006919_1807537990_nogador iniciou-se quando tinha seis anos, na equipa de futebol 5 (atualmente futsal) da minha localidade, o C.R.D. Louriceirense, em que tínhamos dois treinos por semana e jogos amigáveis ou torneios ao fim-de-semana, pois na altura não havia competição. Na época de 1995/96, com nove anos iniciei o futebol de 11 ainda com idade de sub-10 a jogar nos infantis do mesmo clube, onde me sagrei campeão distrital de Infantis da 2.ª Divisão, fazendo outro ano no mesmo clube na 1.ª Divisão Distrital. Depois ingressei na EFCA (Escolas de Futebol do Concelho de Alcanena) dos 12 aos 16 onde fui campeão distrital em todos os escalões (infantil, iniciado e juvenil), seguindo-se o AC Alcanenense no primeiro ano de júnior, onde era também presença regular nos seniores. No segundo ano de júnior joguei pela Académica de Santarém no Campeonato Nacional de Juniores da 1.ª Divisão, onde desfrutei de experiências únicas jogando contra Sporting CP, SL Benfica, FC “Os Belenenses”, FC Alverca, Estoril Praia, União de Leiria, tudo equipas que na altura disputavam a 1.ª Divisão Nacional de Seniores e com jogadores a despontar nessas equipas como Silvestre Varela, João Moutinho, Miguel Veloso, Djaló, Tiago Gomes, Rúben Amorim, Rolando ou Gonçalo Brandão, tudo jogadores que chegaram a internacionais pela Seleção A de Portugal e alguns com enormes carreiras. Nesta experiência desfrutei do novíssimo Centro de Estágio de Alcochete do Sporting CP. Depois, como sénior, estreei-me no GDR Monsanto na antiga 3.ª Divisão Nacional, mas devido à grande competitividade que havia no plantel e face à minha juventude não fui tão utilizado como esperava. Na época seguinte joguei na 1.ª Divisão Distrital de Leiria, ao serviço do UR Mirense, talvez das etapas mais importantes da minha carreira como jogador e que muito me fez aprender para o desempenhar agora das funções de treinador, um ano difícil em que me abriu os olhos relativamente ao futebol sénior e serviu para retificar algumas atitudes, em que o treinador à data foi fundamental para a minha mudança e, depois, consequentemente, o facto de jogar numa divisão abaixo daquela de onde vinha, me permitiu ter muitos minutos e mostrar o meu valor. Por conseguinte assinei pelo CD Amiense onde estive oito anos até à grave lesão que me fez decidir deixar de jogar. Fui praticamente sempre médio centro, mas nas duas épocas de júnior joguei como central.

2 – Qual foi a sentimento quando decidiste pendurar as botas?

Foi duro, praticamente fui obrigado a deixar de jogar devido a uma grave lesão nos ligamentos e no tendão rotuliano do joelho esquerdo, uma vez que não estava ainda nos meus pensamentos abandonar com 28 anos, mas há males que vêm por bem e penso que aqui poderá ter sido o caso.

3 – Como treinador começaste aos 21… Como foi essa primeira época?26793542_1930277860340253_535339459_n

Foi numa equipa de Sub-10 da EFCA, uma experiência muito boa, que me fez claramente ganhar o gosto pelo treino, por liderar uma equipa e que me ajudou a perceber o quão difícil é a posição de treinador, pois paralelamente jogava nos seniores do CD Amiense e este início de etapa ajudou-me também a mudar a visão e opinião sobre as opções dos treinadores que ia tendo enquanto jogador, porque já podia ir sentindo também as dificuldades de gerir um grupo.

4 – Ano para ano foste subindo de escalão e, há dois anos, assumiste os seniores. Quando te pediram para orientar a equipa como te sentiste?

Senti que estava na altura de arriscar e acreditava plenamente nas minhas capacidades para dar a volta à difícil situação que o clube se encontrava e, ao mesmo tempo, senti um enorme orgulho pela oportunidade que estava a surgir com apenas 30 anos, num clube que a nível distrital tem um simbolismo grande por toda a sua história e mística própria. Alguns dias depois, comecei a sentir a pressão do que era realmente treinar uma equipa sénior, onde os resultados estão constantemente a ditar se ‘estás vivo ou morto’, mas tive sempre o pensamento que iria conseguir os objetivos imediatos do clube – a manutenção. Para além disso nessa altura fui muito apoiado e incentivado por muita gente que conhecia o meu trabalho e isso dava-me cada dia mais força para trabalhar e ter confiança em alcançar o desafio que me lançaram. Pessoas como o presidente Romeo Lourenço, o Diretor Desportivo do futebol sénior Tó Rei e o Cristiano que fazia parte também da direção, foram fundamentais pela confiança, estabilidade e tranquilidade que me transmitiam a cada dia que passava.

5 – Quando assumiste a equipa sénior na sétima jornada estes estavam em último lugar, com apenas um ponto. No final da época alcançaste um 11.º lugar, com 28 pontos e evitaste a descida, como fizeste isso?

É verdade, a situação era muito difícil. Foi um ano em que se viu cedo que iria cair mais uma equipa à despromoção, devido à situação do Coruchense. Todavia graças ao  enorme trabalho e sacrifício de todo o grupo, que nunca desistiu nem virou a cara às adversidades que iam acontecendo ao longo da época, na última jornada conseguimos a tão desejada manutenção. Nos 19 jogos que disputei já como treinador definitivo, tivemos apenas seis derrotas, duas com o campeão Fátima, duas com o vice-campeão Cartaxo, uma com o terceiro classificado União de Tomar e uma com o sexto classificado Torres Novas. Gosto de referir as equipas, pois com as equipas teoricamente mais ‘fracas’ do nosso campeonato pontuamos, conseguindo essa ascensão na tabela e consequente manutenção. Olhando para trás, tenho a certeza que o facto de eu já integrar a equipa técnica, conhecer bem os jogadores e muitos deles terem sido meus colegas enquanto jogador, foram ajudas preciosas para que todos juntos conseguíssemos dar a volta à situação. Ainda fomos a tempo também de chegar às meias finais da taça do Ribatejo, caindo em Riachos com derrota por 1-0 em que jogámos 75 minutos com 10. Tudo isto depois de um início muito difícil, acabando por ser uma época de estreia muito bem conseguida.

6 – Na segunda época de seniores estabeleceste um novo registo na história ao seres o treinador mais novo a atingir a melhor classificação na 1.ª Divisão Distrital. A que se deveu essa época fantástica?18056698_1606764532691589_7590058086673235173_n

Na minha opinião não foi mais que o dar continuidade a um bom trabalho que tinha sido feito na época anterior, porque 95% do plantel transitava do ano da sofrida manutenção. Com uns acertos em termos de plantel, tenho de destacar duas entradas que se revelaram decisivas para o desenrolar da época, o Tiago Mateus que era júnior de primeiro ano e que jogou praticamente sempre nos seniores e o Ganso que vinha dos juniores do Alcanenense e que dispensa apresentação pela assombrosa época que fez contribuindo com 26 golos no ano de estreia em seniores. Para além disso foi a enorme qualidade do plantel que, para mim não era novidade (que no ano antes não conseguiu mostrar toda a sua qualidade porque se caiu demasiado cedo no fundo da tabela e depois o contexto da juventude e da pressão da fuga a descida muitas vezes bloqueava os jogadores) aliado a uma enorme crença, mística própria do clube e atitude com que disputavam qualquer jogo sem medo dos adversários e jogando olhos nos olhos fosse com quem fosse, tornou as coisas mais fáceis para esta classificação e, como é óbvio, a estabilidade com que se iniciou o campeonato e os bons resultados no arranque do campeonato ajudaram a equipa a ter sempre muita confiança e a ter um controlo emocional que não tinha havido na época transata. Em termos estatísticos vale o que vale, mas fomos a segunda equipa que mais pontos fez em casa (29) atrás do campeão Coruchense, melhorámos e muito os resultados conseguidos fora de portas (15 pontos), a única equipa que conseguiu marcar em todos os jogos na condição de visitado (campeonato e taça) e ainda o bom registo de 10 jogos a marcar três ou mais golos. Mas sem dúvida nenhuma que o trabalho e a enorme qualidade do jogadores foram fatores determinantes para o alcançar da excelente classificação e ainda chegar às meias finais da taça Ribatejo, onde caímos apenas contra o campeão GD Coruchense.

7 – Esta época continuaste a orientar e, logo na primeira jornada, houve direito a goleada. Agora os resultados positivos estão a tardar a aparecer…. Para além do treinador, o que achas que mudou?

Penso que seja tudo uma questão de tempo até voltarem a aparecer. Ter havido a mudança de treinador, métodos e formas de trabalhar diferentes, modelo de jogo, tudo isso que envolve uma transição de equipas técnicas demora o seu tempo. Neste caso não sendo uma chicotada psicológica a minha saída, não houve desgaste emocional nos jogadores devido a maus resultados, o que pode fazer com que demore mais um pouco o assimilar das novas ideias, comparando quando há uma saída forçada por resultados negativos em que normalmente o impacto dessa mudança é maior. O plantel muito jovem e uma aposta clara na formação também são fatores que podem explicar isso (oito jogadores são seniores de primeiro ano). Mesmo com a minha continuidade esta situação poderia estar igualmente a acontecer, porque a adaptação ao escalão sénior é sempre difícil, porém a qualidade do plantel ficou bem visível nos primeiros cinco/seis jogos e é uma questão de tempo até voltarem a encontrar o rumo dos bons resultados.

8 – Durante 26755202_1930277780340261_765843046_nestes anos todos ao serviço do Amiense quais os momentos que mais te marcaram?

Foram de facto muitos e bons, tantos foram os anos serviço do Amiense… Como jogador a minha estreia pelo clube na época 2006/2007 com um golo ao Sardoal na primeira jornada é inesquecível. Os jogos disputados contra Torres Novas, Alcanenense, Riachense, União de Santarém, com uma moldura humana digna de 1.ª Liga também foram momentos que ficam na memória. A conquista da taça Ribatejo em 2012/2013 sem dúvida um dia único para mim, para o Amiense e a própria vila de Amiais de Baixo. Pelo lado negativo uma lesão em 2009/2010 afastou-me dos relvados de Janeiro a Agosto..
Enquanto treinador a presença na final da Taça Ribatejo de novo em 2014/2015 (como adjunto), em 2015/2016 a minha estreia em Riachos como treinador principal sénior, ainda sem saber se seria o escolhido para continuar em que foi um dia de muitos sentimentos e nervosismo, mas muito orgulho, a primeira vitória ao segundo jogo como principal, no campo da Azenha contra o Torres Novas, numa partida com muitos adeptos e talvez o dia do ‘click’ na equipa, a última jornada dessa época com o carimbar da manutenção, com o alívio ao ouvir o apito final, um dia de muita pressão, emoção e felicidade quando todos nos davam como acabados.
Na época passada vários momentos também devido à fantástica época, mas destaco os jogos em nossa casa sempre com muita gente a assistir e um apoio fantástico dos Tifosis da Barreira, claque do Clube, jogos como o dos Empregados do Comércio e Torres Novas são para mais tarde recordar, o jogo com o Coruchense para o campeonato com uma tarja gigante digna de clube grande quando estávamos em posição de discutir o primeiro lugar nesse jogo, e as duas mãos da meia-final diante do Coruchense, se em casa pelo ambiente que tivemos, fora, numa quarta-feira feira às 20:30, a 80 kms de distância e com uma desvantagem de dois golos, ter cerca de 100 adeptos é absolutamente extraordinário. Por último, e não menos importante, o meu último jogo ao serviço do Amiense contra a União Abrantina na primeira jornada, num dos melhores jogos que a minha equipa realizou nestes dois anos e com uma despedida inesquecível por parte daqueles que comigo sempre caminharam, os jogadores.
Sem dúvida nenhuma que das coisas que mais prazer me deu nestes dois anos, foi o apostar em jovens jogadores, não só os que faziam parte do plantel e que eram seniores de primeiro ano, mas também os juniores que levei e estreei na equipa sénior e que mostraram toda a qualidade que têm para essa aposta ter continuidade. São momentos únicos que passei no clube e que guardarei para sempre.

9 – Como surgiu a proposta para ires treinar na Suiyang Soccer Academy?23755255_1871202102914496_8969357832395915953_n

É o futebol na sua essência. Trabalho, seriedade e paixão. O resto poderá vir como não, mas se tiveres estes fatores que mencionei atrás estarás mais perto de ser bem sucedido. São oportunidades que o futebol nos trás quando menos esperamos. Alguém que esteve atento ao meu trabalho nestes anos , achou que seria uma das pessoas indicadas para o projeto, reunindo aquilo que acham necessário para as funções em questão e abordou-me para essa possibilidade e as coisas felizmente concretizaram-se num espaço muito curto de tempo. Foi tudo muito rápido, mas estou extremamente feliz com o meu novo desafio profissional.

10 – Fala-nos do teu dia-a-dia na Academia…

Com as devidas diferenças para patamares profissionais, basicamente na Academia em Suiyang sou profissional de futebol. Nestes dois meses iniciais o dia começava por volta das 9:30 da manhã para atividades de promoção e divulgação da Academia nas escolas, de forma a mostrar o nosso trabalho e a recrutar jogadores. Da parte da tarde, pelas 15 horas temos a reunião pré-treino onde fazemos o planeamento do dia até às 16 horas, começando os treinos das 16:30 até às 20 horas na27605200_1951102974924408_139955528_o nossa Academia. Trabalhamos de terça-feira a domingo, sendo que a nossa folga é à segunda-feira.

11 – Como é o ambiente entre os treinadores portugueses?

É um ambiente muito bom, divertido, saudável. Não conhecia as duas pessoas que me acompanharam nesta nova etapa e, facilmente, criámos uma relação de amizade que só trás aspetos positivos para a nossa função. Passamos muito tempo juntos em que somos basicamente uma família, partilhando a paixão que temos pelo futebol a todo o momento.

12 – Qual a tua opinião relativamente ao desenvolvimento desta modalidade na China?

Contrariamente ao que possa pensar, há muito potencial futebolístico na China. Com base na clara aposta do Governo para o Campeonato do Mundo de 2026, os recursos são “ilimitados”, desde logo a começar pelos espaços físicos e infra-estruturas que estão disponíveis, em que qualquer bairro numa cidade ou uma pequena vila ou escola tem no mínimo um campo de futebol 7 sintético para a prática do futebol. Noutras zonas há vários campos complexos e é muito frequente haver campos de futebol 11 sintéticos no meio do nada ou numa escola. Devido às chuvas e clima, poucos são os relvados naturais, basicamente tudo é sintético. Depois, os jogadores têm uma paixão incrível pelo jogo e treino, muito dedicados e empenhados bem como uma vontade de aprender acima da média. Muito interessados no que temos para ensinar. Em relação à qualidade dos praticantes é como em todo o lado… há bons e menos bons, sendo também essa a nossa função, além de ensinar o jogo e treinar, fazer a triagem e a diferenciação dos que realmente podem vir a ter futuro na tal aposta que falei anteriormente e a partir desses trabalhar as suas capacidades, porque a oportunidade na China é enorme, sendo que aqueles que há mais tempo praticam a modalidade, nomeadamente miúdos entre 10/12 anos, já começaram a praticar desde 5/6 anos e tem uma qualidade muito boa, face ao cenário que normalmente traçam do jogador chinês.

13 – E no futuro… formação ou seniores?

Eu acredito que são as oportunidades e o momento que ditam o futuro. No meu caso já passei por todos os escalões enquanto treinador. Neste momento integrei um projeto de formação, mas as minhas expectativas no final desta experiência são voltar ao patamar sénior, porém não descartarei formação, caso seja um bom projeto. Farei sempre as minhas opções com base em três pontos: 1 – bom projeto, seja formação ou seniores, bem definido e no qual eu veja que serei útil e com capacidade para desenvolver um bom trabalho; 2 – evolução e projeção profissional; 3 – condições de trabalho.

14 – Tens algum clube que gostasses de treinar? E alguma liga especifica?

Sabemos as dificuldades do mundo do futebol, mas trabalho diariamente, sonhando com o futuro, com ambição de um dia concretizar esse sonho. Acima de tudo gostaria de chegar ao patamar profissional do futebol sénior e começar pela nossa liga portuguesa seria muito interessante, seria um subir passo a passo e ver realizado um sonho de tantos anos de trabalho. Olho para o percurso do meu professor e amigo João Henriques, que recentemente assumiu o Paços de Ferreira e vejo que ele é o modelo e exemplo a seguir em termos de trabalho, de crença e de sonhos possíveis de realizar. Há dois anos era meu adversário no distrital de Santarém e agora está na 1.ª Liga e a começar muito bem. Por vezes não se trata de competência apenas, mas sim de ter alguma sorte de estar no local e momento certo. Divagando e sonhando um pouco mais, adoraria treinar na Premier League e Bundesliga, ligas nem sempre com o futebol mais vistoso ou bem jogado, mas muito competitivas com incerteza no resultado em qualquer jogo, com um ambiente fantástico em todos os estádios, onde podemos ver num jogo entre o penúltimo e o último classificado o estádio cheio e um ambiente sempre de apoio aos seus clubes. A Premier League também pela magia do Boxing Day que acho absolutamente extraordinário. Relativamente a clubes, gosto de clubes com mística ou história, onde a paixão dos adeptos e a crença nunca acaba, por exemplo Atlético de Madrid, Liverpool , Nápoles. Clubes com uma identidade diferente e especial.

15 – Que mensagem podes deixar aos atuais e futuros treinadores do distrito que, tal como tu, começaram lá em baixo e, que aos poucos, querem dar o salto para os grandes palcos?

Acima de tudo que treinem e trabalhem com dedicação, seriedade e paixão sem querer passar por cima de ninguém. Não vale a pena querer queimar etapas, tudo chegará a seu tempo. Seja num contexto de formação, amador, sénior, semiprofissional ou profissional, mais que qualquer qualificação que se tenha, o empenho e o gosto poderão ser determinantes. O tempo investido nunca deve ser posto em causa, porque simplesmente se está a fazer aquilo que se gosta. Quando assim é e se reúne estes conceitos, seja de que forma for, mais tarde virá sempre a recompensa, sabendo que neste mundo tão difícil que é o futebol, nem todos podem ser recompensado da mesma forma. Como costumo dizer… a minha realização profissional não tem de ser igual à de A, B ou C. Não me via a treinar seniores tão cedo e aconteceu. Chegando ao patamar sénior, se calhar não estava nos meus horizontes deixá-lo e apareceu esta oportunidade. Como alguém disse um dia, a mala de um treinador deve estar sempre feita, estejas ‘vivo ou morto’, seja para ser despedido ou para sair em busca de um novo desafio.