Caiu o pano sobre a 1.ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Santarém no que a 2017 diz respeito. Como se esperava, o equilíbrio tem sido a nota dominante ainda que o Mação – a duas jornadas do final da primeira volta – esteja em posição invejável para alcançar um título desejado desde há muitos anos. Há, assim, confirmações, surpresas… e desilusões. Vamos aos números:

Mação – É líder incontestado. Os cinco pontos a mais do que a concorrência mais directa falam por si, fruto de um início de campeonato com seis vitórias em seis jogos, registo sem paralelo dentro da sua história recente. Tem perdido algum desse fulgor nas jornadas recentes, o que se pode explicar pelo facto de ter um plantel que não dá para tudo, ou seja, com um número de opções que em caso de lesões e castigos pode dificultar a tarefa ao treinador João Vitorino. Venceu em Torres Novas, Amiais e Cartaxo – grandes registos – sendo que o resultado menos conseguido aconteceu no reduto dos Empregados do Comércio. Mas que ninguém tenha dúvidas: o seu “melhor” onze não fica a dever nada a ninguém.

União de Tomar – Está na melhor fase do campeonato, fruto de seis jogos seguidos sem derrotas, um registo perto de igualar a melhor marca dos últimos anos. O início de prova não esteve de acordo com o seu estatuto de candidato uma vez que nas seis rondas iniciais apenas venceu em duas partidas. Tem um plantel com jogadores de inegável qualidade – o melhor das últimas épocas. Tem a seu favor a clara superioridade quando joga em casa (só o Cartaxo sobreviveu) pelo que ainda necessita ganhar mais estabilidade como visitante (o que está, já, a conseguir pois não perde nessa condição há cinco “saídas”). Já foi a Mação, Samora Correia e Almeirim e não perdeu. Como resultados inesperados apontam-se, talvez, o empate na Moçarria e a derrota caseira com o Cartaxo.

Fazendense – É uma das surpresas do campeonato se bem que empregar, aqui, o estatuto surpresa seria desvalorizar tudo aquilo que de bom foi feito na última época. Não tenhamos dúvidas: “este” Fazendense é uma continuidade do Fazendense que iniciou novo ciclo na temporada anterior sob o comando de Gonçalo Carvalho. E os frutos estão à vista: segundo lugar e única equipa sem perder, num percurso que já dura desde 2 de Abril último. E esta invencibilidade não é obra do acaso uma vez que a equipa já teve testes de fogo, como a recente recepção ao Mação ou as visitas a Samora Correia, Amiais de Baixo, Cartaxo ou Ferreira do Zêzere. Como resultado menos conseguido fica na retina o empate na recepção ao Moçarriense.

Torres Novas – É outro dos exemplos de estabilidade fruto do trabalho desenvolvido na última época, neste caso sob a mão de Nando Costa. Os «amarelos» são uma das equipas mais regulares da prova e das mais fortes ao nível táctico. Começaram muito bem (com apenas uma derrota em sete jornadas) mas sofreram três desaires seguidos, registo que os atrasou. Mas já “levantaram a cabeça” com a vitória no reduto dos Empregados do Comércio. Este Torres Novas é uma equipa formada por jogadores experientes – que não necessitam de provar mais nada a ninguém – o que não quer dizer que lhes falte motivação. Têm, e muita. E estão aí para as curvas, acompanhando a integração de alguns dos atletas mais novos. Ao nível de resultados, pode dizer-se que o menos conseguido foi a derrota caseira diante do Ouriense.

Ferreira do Zêzere – Esta, sim, é a surpresa do campeonato. Ninguém diria que o Ferreira do Zêzere pudesse estar onde está depois de só ter um ponto conquistado em quatro jornadas. E já com mudança de treinador logo após a derrota inicial em Tomar, com a saída de Rui Bugalhão e a entrada de Eduardo Fortes. Os ferreirenses venceram seis dos últimos sete jogos e têm no jovem Tiago Vieira o melhor marcador do campeonato. Convém recordar que o foco desta equipa é a manutenção mas ninguém lhe pode levar a mal se continuar a pensar mais alto. Está mais do que visto: tem qualidade para isso.

União de Almeirim – Estaremos diante daquele que será o melhor plantel do campeonato. Pelo menos, aquele que mais soluções tem. Mérito seja dado a quem o “trabalhou” no período de defeso. Olhando para os resultados da equipa da capital da sopa da pedra, podemos dizer que em casa tem registado resultados de candidato ao título mas este percurso tem sido estragado com as performances fora de portas, onde só conseguiu vencer no reduto dos Empregados. Muito pouco para quem tem os olhos na subida. Espera-se que, a todo o momento, a qualidade do grupo possa encontrar a estabilidade enquanto visitante… resta, depois, ver se não será tarde demais.

Samora Correia – É outro dos assumidos candidatos… que anda pela mó de baixo. Também trabalhou bem no defeso e muniu-se de um grupo com qualidade… mas os resultados têm sido do melhor e do pior, sendo que nesta última avaliação tem que se enquadrar a goleada sofrida diante do União de Tomar, ainda que em redução numérica. Os «axadrezados» estão a pagar, se calhar, com alguma falta de entrosamento neste Distrital, não de todos mas de alguns jogadores.

Ouriense – O Ouriense é das equipas que melhor futebol pratica, onde a vocação ofensiva e o “jogar para ganhar” são ideias para colocar em prática, seja contra que adversário for. A sua irregularidade explica-se com a entrada/saída de jogadores, ou seja, a estabilidade enquanto grupo ainda não está verdadeiramente fechada. Sem ser candidato ao título, o Ouriense é outsider.

Cartaxo – O Cartaxo assumiu-se, com surpresa, como candidato ao título. Tem um grupo com jogadores de qualidade, é um facto, mas desconhecedores da realidade do Distrital de Santarém. Já mudou de treinador (saiu Wilson Teixeira e entrou Abel Silva) mas a desejada regularidade ainda não foi alçancada. Inexplicavelmente é em casa que tem perdido o reclamado estatuto, pois só venceu um dos quatro jogos realizados. Fora de portas, curiosamente, já ganhou em Samora Correia, em Tomar e Ourém, para além de empatar em Almeirim. É a equipa de extremos neste campeonato.

Amiense – O Amiense tem sido igual a si próprio dentro da sua realidade dos últimos anos: uma equipa capaz e determinada em casa; uma equipa sem confiança e limitada fora de portas. Começou muito bem, com três vitórias em três jogos, mas agora só tem registo para um triunfo nos últimos oito duelos. Caso não comece a melhorar o rendimento como visitante pode cair para a luta pela fuga à despromoção. Tem um plantel virado para o futuro, com jovens de valor, umbilicalmente ligados à terra, pelo que certamente irá dar a volta por cima.

União Abrantina – Começou com seis derrotas em seis jogos… mas no “ar” ficou sempre a ideia de que a equipa – formada por muitos jovens – tinha valor para bem mais do que os zero pontos até então. A verdade é que a União Abrantina já somou três vitórias e todas elas diante de adversários do seu campeonato, casos do Moçarriense, Empregados do Comércio e Riachense. E isto pode valer ouro no final das contas.

Moçarriense – Este é outro exemplo de uma equipa com “duas caras”, capaz de se transformar para melhor quando joga em casa mas limitada na posição de visitante. À semelhança de outros clubes, também o Moçarriense tem um plantel limitado, retocado, aqui e ali, com atletas da valorosa equipa de juniores. Na Moçarria trabalha-se a pensar no futuro, sendo que o presente paga essa factura ainda que a prestação da equipa não envergonhe ninguém. Quem rouba pontos a União de Tomar, Fazendense, Samora Correia e Ouriense tem, efectivamente, capacidade para mais. Também aqui já houve mudança de técnico, com a saída de Jorge Peralta e a entrada de Nuno Guerra.

Riachense – O Riachense, recorde-se, é o actual vice-campeão. Mas – e disso já ninguém terá dúvidas – nesta época luta para fugir à despromoção. “Este” Riachense já tem pouco a ver com aquele que iniciou o campeonato graças aos reforços provenientes do Alcanenense, que deram outra qualidade aos «alvinegros», agora treinados por Miranda, ele que substituiu Vitor Serra. Nos últimos três jogos, o Riachense ganhou dois, indicador de que tem capacidade para subir na classificação.

Empregados do Comércio – Esta é a prova provada de que o treino ganha jogos. Os Empregados são a única equipa do Distrital sem casa própria e que só treinam… quando a Câmara de Santarém disponibiliza funcionários. Para alguns jogos tiveram mesmo que ser os jogadores a levar os próprios carros. Tudo isto somado, a que acresce a saída de Mário Ruas, explica o último lugar. E nem a experiência e qualidade de alguns atletas tem equilibrado esta balança. Os “caixeiros” só têm uma vitória no campeonato e têm sofrido golos em catadupa. São, nesta altura, os principais candidatos à descida.

Texto: Rádio Hertz