A equipa sénior do U. Almeirim fez a estreia no Campeonato Nacional de futebol feminino. O resultado não foi o melhor, mas Pedro Coelho revela que há muito talento na região e no futuro vai conseguir-se tirar dividendos da aposta que o clube está a fazer na modalidade.

Qual o balanço dos primeiros meses com o Futebol Feminino?
O balanço é bastante positivo. Como já há muito tempo não existe futebol feminino em Almeirim a adesão foi muita, logo no primeiro treino. Estiveram presentes 18 atletas e neste momento temos 21 atletas seniores e 16 nos escalões base.

Como correu a estreia?
Tendo em conta as dificuldades que tínhamos para esse jogo ( jogadoras castigadas e indisponíveis) penso que, apesar de o resultado não ter sido o pretendido, foi uma boa resposta das jogadoras presentes e isso dá-nos boas garantias para o futuro.

As jogadoras e o treinador estavam ansiosos?
Sim, mas é normal que estivessem ansiosas, até porque foi a primeira vez que representaram o UFCA, e para muitas foi também o primeiro jogo “a sério” de futebol. O treinador também, posso dizer que sim, até porque em todos os jogos existe sempre aquela ansiedade, aquele nervosismo.

O que disse antes de entrar em campo?
Além da parte técnica/tática do jogo, disse-lhes que a partir daquele momento iam fazer parte da história do clube. Estavam a representar o clube e isso tinha de estar sempre presente em cada esforço a mais que tivessem que fazer em campo.

Quais os objetivos para este campeonato?
O objetivo principal é tentar melhorar semana a semana. Aprendermos com os erros que cometemos, os pontos francos e fortes de cada jogadora e trabalhar para que sejamos melhores a cada semana.

Nota-se diferença no trabalho entre homens e mulheres?
Sim. Entre várias, destaco uma. Um treinador faz o seu plano de treino. Chega ao treino, monta os exercícios, explica o que pretende e os jogadores executam, não fazendo mais perguntas. Com elas é diferente. Questionam o porquê do exercício, colocam dúvidas… Para um treinador é muito bom existir este feedback, trazendo um melhor entendimento entre as ideias do treinador e das jogadoras.

Está a gostar da experiência?
Bastante. Mas confesso que quando recebi o convite para coordenar o Futebol Feminino, duvidei se deveria ou não aceitar. Após reunião familiar, pensei… porque não? Um novo desafio é sempre bom na nossa vida. Posso dizer hoje que não me arrependo da decisão tomada. O dia 5 de junho (data em que foi feito o primeiro treino) ficará sempre na minha memória.

Onde acha que esta equipa pode chegar?
Até onde elas quiserem ir. Com a garra que elas têm demonstrado, estou bastante confiante no futuro.

Lamenta que existam poucas equipas na região?
Sim. Penso que se devia olhar para o Futebol Feminino de outra maneira. Acredito que existam meninas que queiram jogar futebol mas em equipas exclusivamente femininas e não mistas, como acontece no concelho.

Há muito talento cá?
Muito. Andava era escondido. Como não existia Futebol Feminino, as meninas eram “obrigadas” a fazer outro tipo de desporto que se calhar não as fascinava tanto como o futebol. Mas há muito talento e vocês vão acabar por descobrir.

Dentro de 10 anos poderemos ser potência no Futebol Feminino?
Eu penso que sim. Mas para isso acontecer há que fazer um bom trabalho de base. Apostar em todos os escalões e trabalhar afincadamente.

Texto e foto: O almeirinense