Após cinco anos ao serviço do CCDR Moçarriense, no final da época, João Belbute (treinador, coordenador da escola de formação, responsável pela parte da comunicação e jogador), irá abandonar o clube com o intuito de iniciar um novo ciclo.

O jovem treinador de 30 anos que, iniciou o seu percurso como técnico principal aos 23 anos na equipa de iniciados dos GDR Parceiros (AF Leiria), tem sido uma peça fundamental no crescimento do clube da Moçarria porém, acha ser a altura correta para iniciar um novo capítulo no mundo do futebol. “Em primeiro lugar referir que foi uma decisão muito ponderada e difícil, por tudo aquilo que o clube representa para mim. Relativamente aos motivos estes prendem-se principalmente com a minha necessidade de sair da minha zona de conforto, de procurar novos desafios e, se possível, subir um degrau no meu percurso. Cinco anos são, de facto, muito tempo e entendo que tanto eu como o clube necessitamos de algo novo e é nesse sentido que a decisão estava tomada desde o primeiro dia desta época. Fiz questão de dizê-lo aos dirigentes no dia em que chegamos a acordo para esta época”, começou por dizer.

Depois de meia década ao serviço da equipa da Moçarria, onde conseguiu criar um jornal, um canal no youtube, uma loja, entre outras coisas – aumentando assim a divulgação do clube – o técnico avaliou o trabalho desempenhado no clube como muito positivo.”Lembro-me daquilo que era o clube quando iniciámos o nosso ciclo e do potencial que poderíamos atingir… Foi um trabalho que exigiu muito dedicação e privação muitas vezes da vida pessoal para conseguirmos fazer crescer o clube e melhorar a sua imagem externa. Julgo que conseguimos! Um trabalho enorme, mas de poucas pessoas. Acredito que hoje o clube atingiu aquela que definimos como a sua principal missão no inicio “ser uma referência, enquanto serviço desportivo de qualidade, no distrito”. O mais satisfatório é ver que todos os envolvidos no processo cresceram…não só os atletas, como também os treinadores e até mesmo os dirigentes esse é provavelmente o aspecto do qual mais me orgulho”, disse.

O ‘faz tudo’, como assim é conhecido, será uma grande perda, porém acredita que o clube conseguirá arranjar alguém a altura e com força suficiente para fazer mais e melhor. “Para quem agora vier terá que haver a humildade de perceber o que está bem feito, aproveita-lo e maximizá-lo ainda mais. Mas terá que vir com a consciência de que não é um trabalho fácil, que é uma luta desigual e que estar em segundo plano é o mais normal. Da minha parte espero que continue a crescer até porque eu próprio serei mais um a apoiar”, referiu.

Como em tudo na vida há coisas que nos marcam nas grandes etapas das nossas vidas e a João Belbute o que mais o marcou durante estes cinco anos, foi, sem dúvida, as pessoas.”Fui recebido ao inicio com alguma desconfiança, fruto de alguma aversão à mudança que existia e talvez por se tratar de um meio muito pequeno, sendo alguém ‘de fora’. Mas com o passar do tempo fui acolhido como se de um Moçarriense de gema se tratasse e a grande maioria da pessoas acabou por acreditar em mim e seguir-me nesta aventura que agora termina. Será provavelmente o motivo que mais saudades me vai deixar certamente…”, disse.

Relativamente ao futuro, esse ainda é muito incerto, todavia Belbute admite que já recebeu algumas propostas e que não se irá restringir apenas ao escalão mais jovem. “Tive algumas abordagens, mas para já nada de concreto até porque, por respeito ao clube que ainda represento, não considero eticamente correcto nesta fase da época entrar em negociação com outras instituições. Relativamente à continuidade na formação é uma incógnita… a minha expectativa é estudar qualquer boa oportunidade que me surja quer seja no distrito de Santarém ou noutro lugar qualquer. Conheço os dois contextos (formação e futebol sénior) por isso irei optar por o melhor projecto independentemente da etapa etária”, contou.

Para além de treinador, João Belbute também representa os seniores do Moçarriense e tem sido essencial na boa época da equipa, contudo admite que no final da época irá pendurar as botas definitivamente. “Não pretendo continuar a jogar. Esta época resolvi aceitar o convite de ajudar a equipa pela amizade que tenho pelo Treinador, Dirigentes e Atletas que compunham o grupo dos seniores e confesso que talvez por este ser o meu ultimo ano no clube esse factor também tenha sido determinante”, concluiu.