“Eu acredito demais na sorte. E tenho constatado que, quanto mais duro eu trabalho, mais sorte eu tenho.” Thomas Jefferson

Muito se fala sobre a preparação física e técnica dos árbitros, se estão bem preparados para as exigências dos campeonatos, se dispõem de boas condições de trabalho, etc. Muitos são aqueles que ainda pensam e ‘publicitam’ a teoria de que os árbitros apenas pegam no ‘saco’ ao domingo (e/ou sábado) de manhã e o largam ao final do mesmo dia. Puro engano, hoje em dia os árbitros preparam-se, pelo menos, tão bem como as próprias equipas.

Atualmente, de um modo geral, os árbitros possuem melhores condições de trabalho, tanto ao nível das infraestruturas de treino (por exemplo, terrenos de jogo), como ao nível do acompanhamento, seja presencial nos treinos, seja online, através de plataformas de ensino à distância ou para realização de testes escritos.

Os árbitros, normalmente, treinam (treino escrito e físico) entre três e quatro vezes por semana (por vezes cinco), estando este número dependente do número de jogos, por questões de gestão de esforço.

Transpondo para a realidade distrital (semelhante à nacional) e aproveitando para a dar a conhecer, importa referir que os árbitros de Santarém, desde a época 2014/2015 (formalmente) possuem dois Centros de Treinos (Entroncamento – campos relvados do complexo do Bonito e Almeirim – campos relvados do Estádio Municipal e do Parque Desportivo Municipal) integrados no PINAT (Programa Nacional de Aperfeiçoamento Técnico da FPF). Nos referidos centros, os árbitros são acompanhados permanentemente por um preparador físico e um técnico de arbitragem que dirigem e orientam a sessão.

A presença dos árbitros é obrigatória às terças e quintas-feiras, sendo os restantes dias de carácter facultativo ficando, assim, ao critério de cada um o local de treino. O dia de descanso é, em condições normais, à quarta-feira.

Os planos de treinos utilizados são concebidos por Técnicos da FPF, que depois os remetem semanalmente, aos coordenadores e preparadores físicos responsáveis pelos CT Distritais.

Habitualmente, os fatores predominantes em cada treino, são:

  • Segunda feira – Treino Aeróbico – Baixa Intensidade ( 60´aproximadamente ) ,
  • Terça feira – Treino – Resistência (80’ aproximadamente),
  • Quinta feira – Treino – Velocidade/Resistência – Técnico (90’ aproximadamente),
  • Sexta feira – Treino – Velocidade de Reação (50’ aproximadamente).

Os treinos técnicos são realizados às quintas-feiras, onde árbitros e árbitros assistentes efetuam treino integrado com jogadores, ou seja, simulando contexto de jogo permitindo, assim, treinar e, se for caso disso, corrigir atitudes em situação real de jogo (foras de jogos, infrações, colocações em terreno de jogo, sinalética, etc.) aumentando assim e, cada vez mais, o nível de acerto de decisões.

Poderá o adepto comum questionar-se se isto fará sentido para os árbitros… Então, e fazendo um paralelo para as equipas, deverá questionar-se porque será que os treinadores simulam e testam situações de jogo em treino com várias repetições de jogadas e esquemas táticos? Porque será que treinam os jogadores dentro do terreno de jogo onde atuam? Porque será que os jogadores efetuam treinos de recuperação?

Se estas questões fazem sentido para as equipas, logicamente também o farão nos árbitros.

O evoluir das condições de trabalho dos árbitros, sem dúvida, contribui para a melhoria dos seus desempenhos, com consequências diretas na qualidade dos nossos campeonatos, engrandecendo-os. Quem fica a ganhar? Todos, nomeadamente o ‘espetáculo’ que tanto gostamos, o futebol (ou futsal).

hugo

 

Texto: Hugo Silva – Árbitro