Durante a pausa natalícia, realizou-se um jogo amigável entre os juvenis do GD Forense e os iniciados do CD Salvaterrense que acabou por ser cancelado devido a incidentes que envolveram navalhas e algumas agressões dentro e fora do campo.

O futebol distrital de Santarém teve conhecimento de uma adepta presente no encontro que contou o momento de aflição no decorrer da partida.
“No dia de hoje, não havendo competições oficiais o Salvaterrense organizou, no Complexo Desportivo de Marinhais um jogo de treino entre os Iniciados A e os Juvenis do Grupo Desportivo Forense, clubes vizinhos. Na condição de jogo de treino, não existia policiamento e, como é normal nestas ocasiões, os árbitros foram seleccionados por membros dos dois clubes.
Depois de uma primeira parte normal, com a turma da casa a sair para o intervalo a ganhar 1-0, esperava-se um segundo tempo mais renhido.  A agressividade dentro do campo começou a passar um pouco das marcas com o jogador n.º 7 do Forense a agredir dois ou três jogadores, em jogadas feias, o que levou o árbitro a parar o jogo e chamar atenção.
De repente, e do nada, um indivíduo que se encontrava sozinho ao fundo das bancadas começou a falar alto na nossa direção. Eu, o meu filho e outro casal, pensamos que não seria connosco. Contudo, o indivíduo levantou-se e veio na nossa direção e começou a agredir o senhor que estava ao meu lado. Reparei que esse indivíduo tinha uma navalha aberta na mão, e avisei o senhor ao meu lado para não responder às provocações e sairmos dali, todavia antes de conseguirmos abandonar o local o indivíduo deu dois socos nesse mesmo senhor.
Eu sai dali a correr com o meu filho e fui, imediatamente, pedir auxílio. Enquanto chamávamos a GNR, o agressor, atirou-se pelas costas do senhor e acabaram por rebolar os dois pelas bancadas abaixo. Felizmente o resultado foram apenas mazelas e nódoas negras, pois o senhor conseguiu agarrar na mão onde se encontrava a navalha. Enquanto isto tudo acontecia, dentro do campo o jogo foi interrompido pelo sucedido nas bancadas, onde também várias crianças já choravam com medo. Os ânimos dentro do campo, também se exaltaram. Chegando ao ponto de um dos jogadores do Forense ter tentado agredir o treinador do Salvaterrense com um empurrão, que só não teve resposta por o jogador ser menor. Não podendo confirmar com exactidão, fui informado que um dos jogadores do Forense, nem sequer está inscrito nesse clube, dito pelo próprio que joga no Ferreira do Zêzere e que estava ali só para fazer aquele jogo. O que não se importou nada de ser uma dos provocadores de distúrbios dentro do campo, já que nem sequer joga naquele clube.
Independentemente de ter sido um jogo não oficial, ambas as equipas são associadas da AF de Santarém, e como tal, para puderem organizar um evento desportivo aberto ao público deveriam garantir as condições mínimas de segurança dentro e fora do campo, julgo eu”, disse Helena Naia.

São vários os incidentes de violência no futebol de formação, alguns deles bem trágicos e, apesar das várias tentativas para minimizar este tipo de problemas o certo é que ainda há muito a melhorar, pois se estamos a referir formação, estamos a falar de ‘formar’ jovens, de lhes oferecer valores, princípios éticos, cívicos, de humanismo, de solidariedade, de amizade, de respeito pelo outro e não de atitudes ‘animalescas’.