GRUPO DE FUTEBOL DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DE SANTARÉM – I Divisão AF Santarém

No início era o futebol. E por início entenda-se 1917 que este é um clube quase centenário. No mapa do futebol nacional, o distrito de Santarém está longe de ter um lugar de destaque, o que não quer dizer que não tenha história e histórias para contar.

A do Grupo de Futebol dos Empregados no Comércio é uma delas. Um clube com um nome que não engana à primeira leitura. Um emblema movido à força dos operários, mas não de qualquer um: à classe dos chamados Caixeiros.

A alcunha vigora até hoje.

Pudera. Os Caixeiros foram dos primeiros clubes de Santarém, na altura em que se formou a Associação de Futebol local. Havia os Leões de Santarém, constituído essencialmente por estudantes e jovens da classe média, e também o União Operária de Santarém, com pessoas ligadas ao artesanato e ao meio fabril.

Na história da Associação de Futebol local surge, depois, a nota: «Havia um terceiro clube, cujos praticantes se recrutavam nas atividades do comércio e da indústria. Ata da reunião preparatória o Clube de Futebol dos Empregados no Comércio, mais conhecido na gíria do desporto pelo nome de ‘Os Caixeiros’.»

Estávamos, como se disse, em 1917. Mas poderíamos dizer algo parecido de 2015. O clube subsiste e dá frutos. Em várias modalidades.

Nestes «Caminhos de Portugal», o Maisfutebol foi até Santarém e ouviu a história dos Caixeiros da boca de Fernando Graça, presidente. Um telefonema que interrompe a apanha da azeitona, mas que é recebido de bom grado. Nota-se pelo ânimo com que fala da coletividade.

«O clube vai fazer 100 anos e surgiu a partir do futebol. O nome não engana: era formado a partir dos empregados no comércio. Nos primeiros estatutos, a entrada do clube estava limitada a eles, aos chamados Caixeiros. Era um clube da classe operária, mas só desta classe específica», explica o dirigente, numa primeira abordagem.

Foi no ano das aparições de Fátima, ali perto em Ourém, cidade do distrito, que surgiu o Caixeiros. Com base no futebol, mas que, atualmente, é muito mais que isso.

«É um clube muito conhecido na região. Além do futebol, fomos fundadores da Associação de Basquetebol de Santarém e também da Associação de Ténis de Mesa. Temos Futsal, Hóquei em Patins, que na década de 50 foi mesmo a modalidade rainha, porque o futebol teve uma paragem, e que chegou a estar quase na I Divisão Nacional uns anos mais tarde. Depois nos anos 80 surgiu o andebol, onde conseguimos vários títulos nacionais e que, nos dias de hoje, é mesmo o principal desporto do clube», conta Fernando Graça.

Então e o futebol? Pois. Houve ali um problemazito pelo meio: esteve interrompido mais de 50 anos. Já lá vamos.

«Futebol tem sido esquecido no concelho de Santarém»

O União de Tomar, onde jogaram Eusébio e Simões, conta com seis presenças entre os grandes do futebol português. Não há rival no distrito. Num plano mais secundário Fátima, CD Torres Novas e União Santarém também atingiram algum protagonismo nos escalões inferiores.

É pouco, claro. Fernando Graça acha que «o futebol tem sido esquecido», referindo exclusivamente ao concelho que é, também, depois, capital de distrito. O seu clube, inclusive, passou por um longo interregno sem o praticar.

«Houve uma paragem no futebol a partir dos anos 40. Só em 2008 é que iniciamos novamente a prática, com uma equipa sénior que competiu na II Divisão Distrital», explica.«Acabamos por ser prejudicados, indiretamente, pela inércia desta zona nessa área. Fomos por arrasto. Aqui há essencialmente três clubes mais históricos: nós, o União de Santarém e a Académica de Santarém, que atualmente não tem equipa sénior», esclarece.

Esse é um dado que distingue a equipa que Fernando Graça preside. Sempre que inicia uma nova modalidade começa por criar uma equipa de adultos. Só depois avança para a formação: «Queremos criar o bichinho nos mais novos a partir daquilo que os seniores fizerem. Queremos que vejam e sintam vontade, também, de praticar aquele desporto. Quando vemos que há entusiasmo, partimos para a criação de equipas da formação.»

A nível de condições, o Caixeiros não tem queixa. «Não são as melhores do mundo, mas dentro das condições que existem acho que não daria para muito mais. As modalidades de pavilhão têm tudo o que precisam numa infraestrutura da Câmara e o futebol utiliza o campo do Ribeira de Santarém, que recentemente recebeu um relvado sintético», conta.

O clube possui ainda sede própria e, lembra Fernando Graça, na década de 50 era o único emblema de Santarém a possuir um ringue coberto.

«Somos Caixeiros com muito orgulho »

O clube dos Empregados no Comércio de Santarém salienta ainda um ponto muito importante da sua atividade: a manutenção de valores que o ligam aos trabalhadores.

«Não dizemos que somos o clube dos pobres, mas temos sempre atenção às condições económicas das famílias numa altura que é complicada. Temos conhecimento de muitos jovens que deixam de praticar desporto devido a mensalidades elevadas, por exemplo. Temos esse cuidado. Tentamos ajudar quem tem mais dificuldades», salienta.

Isso faz com o clube continue muito querido pela população e, sobretudo, pela classe que o fundou. «Ainda hoje fazemos campanhas junto dos funcionários do comércio», diz o presidente, vincando que a maior parte dos sócios está ligado a esse ramo.

«Somos os Caixeiros com muito orgulho. É assim que somos conhecidos em todo o lado e posso garantir que viemos para ficar», assegura, para fim de conversa.

Fonte: Maisfutebol.iol.pt