A transição entre o momento da lesão e o retorno à prática desportiva de um jogador não é um processo simples e necessita de meios físicos e conhecimentos adequados.

Todos os jogadores estão propensos a lesionar-se durante a prática desportiva. As lesões podem ocorrer de forma aguda, como em quedas ou traumas diretos, ou de forma crónica, como no caso das tendinites e das fascites plantares. É de extrema importância que se faça o diagnóstico clínico correto, pois influenciará todo o processo e tempo de recuperação.

A “pressa é inimiga da perfeição” e um retorno precoce às atividades pode colocar tudo a perder, levando até mesmo ao agravamento da própria lesão. Cada lesão tem o seu tempo fisiológico de cicatrização. Para além disso, é necessário compreender que uma paragem desportiva também condiciona o estado físico do jogador (nível muscular, nível cardiorrespiratório, etc.)  e principalmente, psicológico.

Passar por uma lesão leva o jogador a pensar no período de tempo que vai ser obrigado a estar parado, nos tratamentos, nos treinos que não faz, nos jogos onde não está presente. (Desenganem-se aqueles que julgam que a maior pressão que um fisioterapeuta sente vem por parte dos treinadores, dirigentes, ou nos mais interessados no jogador. A maior pressão vem sem dúvida do jogador, do utente que temos em mãos e que nos solicita para que possa entrar em campo o mais rápido possível!)

Na maioria dos casos, o jogador apresenta-se apto para integrar a equipa mas continua a demonstrar mecanismos de defesa, nervosismo, desconcentração, períodos em que pensa na dor.

Atravessar uma lesão é sempre momento marcante no jogador e no retorno à prática continuam a existir receios de que o que aconteceu poderá voltar a acontecer. É neste momento que um fisioterapeuta com formação na área desportiva assume um papel importante, ao reeducar o jogador novamente para o gesto técnico e intensidade de treino e aqui é preciso “suarem os dois”.

Acompanhar o jogador no retorno aos treinos e pisar os relvados com ele, faz parte da reabilitação física e … psicológica!! É necessário introduzi-lo aos poucos no treino. Inicialmente na recuperação cardiorrespiratória, posteriormente na reeducação do gesto técnico e,  (sem dor) ajudá-lo a integrar a equipa por períodos de tempo graduais, incentivando-o sempre, motivando-o, demonstrando-lhe que é capaz de voltar e que tudo está bem.

Um fisioterapeuta na área desportiva tem que sair da sua “zona de conforto” e predispor-se a conhecer muito bem a modalidade onde está a prestar apoio, de forma a prescrever um plano de exercício adequado e contribuir para a recuperação do jogador a 200% (100% físico, 100% mental).

Carla Santos – Fisioterapeuta